separada há pouco tempo Andréia só pensava em recuperar o tempo perdido, recomeçar. Ela mesma costumava dizer que não era uma retomada, mas um real começo de vida no qual o passado lhe parecia ter sido uma história que aconteceu com outra pessoa. Aos 25 anos vestir uma roupa, que nem precisava ser nova, agora era um prazer. Descobrir traços de beleza ali, acolá, em vários lugares do seu corpo era como se nunca tivesse visto a si mesma.
De repente ela ouve batidas na porta. Frenéticas. Nem era preciso abrir para saber que era Marcos. Ela o atende de pé, ele entra sem convite, alterca frases de juras de amor em tom baixo e sofrido com gritos furiosos.
- Andréia, eu te amo, vc é tudo pra mim, não consigo dormir, não consigo trabalhar, vc me reduziu a nada, a vida não tem sentido sem vc ( Marcos em tom de choro).
- OLHA QUER SABER (fecha os punhos Marcos em direção ao rosto dela) AINDA SOU CASADO COM VC! NÃO VOU EMBORA! TUDO NESSA CASA TAMBÉM É MEU. NÃO VOU TE DAR PENSÃO PRA VC SAIR TREPANDO POR AÍ. OLHA, VC TÁ RIDÍCULA COM ESTA ROUPA, TODO MUNDO TÁ COMENTANDO TEU COMPORTAMENTO DE PUTA.
Seguem-se momentos tensos. Com a mão masculina e uma força brutal ela é jogada contra a parede. Enforcada ela não pode gritar. Sem ar ela sente a sensação de que os ossos e músculos estão sendo esmagados. Indignação, brutalizada covardemente ela percebe que segurança, proteção, confiança, foram palavras vazias quando se trata de violência doméstica.
Na sala da dra Maria Cristina, anos depois, em terapia, Andréia tenta relatar o significado de MEDO, tenta reproduzir sua insegurança. Impossível. O corredor negro que abriga esse sentimento no cérebro humano é povoado de monstros com faces e vozes indescritíveis. O MEDO não é um sentimento que ela experimenta somente ao se avizinhar uma possível e concreta nova agressão. O MEDO é um estado latente, é como um veneno que modifica a face de quem sente.
De repente ela ouve batidas na porta. Frenéticas. Nem era preciso abrir para saber que era Marcos. Ela o atende de pé, ele entra sem convite, alterca frases de juras de amor em tom baixo e sofrido com gritos furiosos.
- Andréia, eu te amo, vc é tudo pra mim, não consigo dormir, não consigo trabalhar, vc me reduziu a nada, a vida não tem sentido sem vc ( Marcos em tom de choro).
- OLHA QUER SABER (fecha os punhos Marcos em direção ao rosto dela) AINDA SOU CASADO COM VC! NÃO VOU EMBORA! TUDO NESSA CASA TAMBÉM É MEU. NÃO VOU TE DAR PENSÃO PRA VC SAIR TREPANDO POR AÍ. OLHA, VC TÁ RIDÍCULA COM ESTA ROUPA, TODO MUNDO TÁ COMENTANDO TEU COMPORTAMENTO DE PUTA.
Seguem-se momentos tensos. Com a mão masculina e uma força brutal ela é jogada contra a parede. Enforcada ela não pode gritar. Sem ar ela sente a sensação de que os ossos e músculos estão sendo esmagados. Indignação, brutalizada covardemente ela percebe que segurança, proteção, confiança, foram palavras vazias quando se trata de violência doméstica.
Na sala da dra Maria Cristina, anos depois, em terapia, Andréia tenta relatar o significado de MEDO, tenta reproduzir sua insegurança. Impossível. O corredor negro que abriga esse sentimento no cérebro humano é povoado de monstros com faces e vozes indescritíveis. O MEDO não é um sentimento que ela experimenta somente ao se avizinhar uma possível e concreta nova agressão. O MEDO é um estado latente, é como um veneno que modifica a face de quem sente.
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Um comentário:
As coisas que o homem faz aos seus semelhantes pendem entre maravilhas inimagináveis e o terror inacreditável.
Belo lugar, o seu.
Beijinho.
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