Quarta-feira, quatro horas da tarde, doutora Maria Cristina espera por Sílvia, abre a porta da ante-sala e lá está a paciente, paciente antiga. Silva tratava-se com a psicóloga há quase quatro anos. Ela é uma mulher comum, morena, estatura média, nem magra e nem gorda – no limite, cabelos escuros pouco abaixo dos ombros, possuidora de um jeito simples, educado e simpático.
Hora da terapia, doutora Maria Cristina chama a paciente para o sofá, ela senta, acomoda-se com uma almofada onde deita os antebraços, e então diz: “doutora sabe aquele rapaz que me convidava há meses para sair?”...bem, saímos na sexta passada, achei a conversa dele tão distante do meu mundo, mesmo assim, lhe dei uma oportunidade...fomos a um passeio em dos parques da cidades, mas lá encontramos alguns conhecidos dele, e o passeio que seria nosso primeiro encontro, se tornou mais um encontro coletivo de amigos, sendo que eu era a única do grupo de não falava a mesma língua.”
Então perguntou a psicóloga: “ o passeio não foi proveitoso?”.
Sílvia respondeu: “eu não sei! ... depois disso saímos a noite e não sei o que me deu e quando me dei por conta já estava no outro dia, dormimos juntos...eu nem me interessei por ele. Olha,.não sei porque fiz isso...mas o pior doutora não é isso, é que ele não me ligou mais, e hoje já é quarta-feira e sinto que ele não irá ligar...o que a a senhora acha?”
A psicóloga então diz: “mas nós já conversamos sobre isso, sobre como suas fantasias sobre os homens, sobre o amor, sobre as paixões, e tínhamos combinado que você teria um comportamento mais reservado, que não se colocaria vulnerável em relacionamento fantasioso, ou seja, em relações em que você não passa pelas etapas indispensáveis antes de se entregar ao seu parceiro. Mas... bem, estou vendo que, mais uma vez, você voltou ao círculo vicioso de um comportamento que não te permite ter a dimensão exata nem dos seus sentimentos, previsão até das suas reações, enfim...”
E Sílvia – aflita - retorna à psicóloga e pergunta: “sim doutora, eu já sei, já sei que faço tudo errado, mas me responda – pelo amor de Deus – a senhora que conhece tudo, que sabe de tudo, ele vai me ligar?”