Como sempre Maria Fernanda chegava cedo nos lugares, mas não esperou muito e viu um amigo, com quem não tinha marcado nenhum compromisso, mas antes que as amigas chegassem sentou-se, sorriu e perguntou o trivial “tudo bem?”. O amigo, porém, respondeu: “não!”. Ela, meio confusa, não sabia ao certo se humor negro dele teria se dado pelo inusitado do encontro, e do provável incômodo de ter que, socialmente, conversar um pouco com ela. Mesmo assim, perguntou o motivo. O triste confidente, em mais uma surpresa, confessou que estava triste pelo fato de saber que sua recente ex-namorada já estava com outro.
(Fernanda, então, lembrou do passado, do dia em que acordou e havia pensado que ainda dormia. Dia inesquecível. Lembrou da mão sobre o travesseiro do lado contrário da cama, do lado que ele dormia. O pesadelo deste acordar nem era novo, repetia-se há dias. O cheiro masculino do amado nem podia ser mais percebido na cama, pois alguém, maldito alguém, havia, desavisado, trocado a roupa da cama. Nem precisava levantar e ir ao banheiro checar o resto das coisas, sabia que os únicos pertences que sobraram estavam ali mesmo, do lado da cama, dentro da gaveta. Os objetos da gaveta foram os únicos que sobraram, que ele deixou pelo simples fato de Fernanda garantiu a ele que após um acesso de raiva tinha jogado os objetos fora. Mentira! Eram fotografias deles, remédios que ele usava, pequenos pertences, pessoais, só dele. Na verdade, a Maria sequer teve coragem de ver, de perto, de abrir a gaveta e constatar o que sobrou, o que o sobrou talvez do único, único amor da vida inteira.)
De repente, Maria Fernanda despertou, e voltou a olhar para o amigo, tentando dizer alguma coisa coerente e solidária. “O que diria?
Mas logo chegaram suas amigas e um companheiro do seu triste confidente. O companheiro do então confidente, bastante eufórico, gritou: “cara, vamos logo, o jogo do Brasil vai começar!”. E subitamente o confidente sorriu, mudou de semblante, e como se fosse um novo homem, anunciou feliz e sem cerimônia para Fernanda: “to indo, todas as quartas assisto as eliminatórias do Brasil!!!”.
(Fernanda, então, lembrou do passado, do dia em que acordou e havia pensado que ainda dormia. Dia inesquecível. Lembrou da mão sobre o travesseiro do lado contrário da cama, do lado que ele dormia. O pesadelo deste acordar nem era novo, repetia-se há dias. O cheiro masculino do amado nem podia ser mais percebido na cama, pois alguém, maldito alguém, havia, desavisado, trocado a roupa da cama. Nem precisava levantar e ir ao banheiro checar o resto das coisas, sabia que os únicos pertences que sobraram estavam ali mesmo, do lado da cama, dentro da gaveta. Os objetos da gaveta foram os únicos que sobraram, que ele deixou pelo simples fato de Fernanda garantiu a ele que após um acesso de raiva tinha jogado os objetos fora. Mentira! Eram fotografias deles, remédios que ele usava, pequenos pertences, pessoais, só dele. Na verdade, a Maria sequer teve coragem de ver, de perto, de abrir a gaveta e constatar o que sobrou, o que o sobrou talvez do único, único amor da vida inteira.)
De repente, Maria Fernanda despertou, e voltou a olhar para o amigo, tentando dizer alguma coisa coerente e solidária. “O que diria?
Mas logo chegaram suas amigas e um companheiro do seu triste confidente. O companheiro do então confidente, bastante eufórico, gritou: “cara, vamos logo, o jogo do Brasil vai começar!”. E subitamente o confidente sorriu, mudou de semblante, e como se fosse um novo homem, anunciou feliz e sem cerimônia para Fernanda: “to indo, todas as quartas assisto as eliminatórias do Brasil!!!”.
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