quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Maria Cristina, solidariedade

A porta de delegacia se abre: entra uma mulher magra e de estatura média, em vestido feminino e simples, com cabelos em desalinho, dirige-se ofegante até o balcão de atendimento.

Ela fala alto, nervosa e confusa não sabe ao certo a quem dizer e o que dizer, se a assistente social ou a escrevente. Maria Cristina, a mais nova das “marias” esperava a irmã, para carona do fim do dia, e em solidariedade a tanta aflição aproxima-se da estranha, estende-lhe as mãos e ampara a mulher. Com o rosto de lado, como se o pensamento ficasse mais denso em das duas partes do cérebro procura entender o que ela diz..

A desconhecida então coloca as mãos na face, cabisbaixa, em desespero, com a voz embargada diz: “vim confessar um crime, eu acho”... “deixei, agora a pouco, dois corpos sem vida, na minha cama, ali mesmo, onde os encontrei vivíssimos”...”mas confesso, a culpa que sinto não é da morte, ou das mortes, mas de não ter sabido antes, quando perdi, e se de fato perdi, naquela noite ou naquela cama, antes ou depois da morte, o amor daquele homem...”

3 comentários:

Anônimo disse...

quando terá sido, afinal? ela sempre há de se perguntar.

[coeso, forte, parabéns!]

Anônimo disse...

a ironia maior é ela se dá conta do crime e o que mais a preocupa não seja a morte do amante mas a do amor dele

Unknown disse...

lindo!! e triste!! perder um amor...
Parabéns!!