terça-feira, 4 de setembro de 2007

Maria Fernanda, "amigo é quem tem coragem pra ser"



Maria Fernanda, a mais velha das “marias irmãs”, diferentemente da beleza de Teresa, era uma mulher de estatura média, corpo roliço, dava a impressão de ser até um pouco gordinha. Sobrancelhas grossas lhe emprestavam um ar severo, as unhas ao natural confirmavam sua sobriedade.

Fernanda era Delegada de Polícia, não gostava de muita conversa. Trabalhava em uma Delegacia especializada para mulheres e todos os dias se deparava com vítimas das mais variadas formas de agressão, mas, naquele dia, em específico, presenciou algo que guardaria para o resto da vida.

Era 8:30 da noite e a sirene da delegacia soou alto – era um chamado de emergência, talvez com vítima fatal. A delegada resolveu ir, ela mesma, com o resto da guarda. Chegaram com algum tempo, o trânsito apesar da hora não facilitava o acesso. No local do crime, encontraram uma mulher de meia idade, um corpo já sem vida, metade sobre a rua sem asfalto e a outra metade sobre a calçada. Havia muito sangue nas mãos da vítima, estavam cortadas nas pontas dos dedos e nas palmas, como se tivesse tentando proteger o rosto ou o corpo antes dos golpes no tórax. Parecia um desses casos de brigas entre marido e mulher.

Perguntou a Delegada Fernanda se alguém poderia identificar o corpo. Ninguém respondeu.
Uma mulher ao longe olhava tudo com um pouco mais de curiosidade que o resto da multidão, o que chamou atenção da autoridade, e logo Fernanda tornou a perguntar, agora mais diretamente à mulher – “a senhora conhece a vítima."
A mulher respondeu – "não!" – "Conheço quem fez isso com ela."
Então a delegada indagou, de imediato, curiosa, quem teria sido.

"Meu marido" – respondeu a mulher. E continuou: "ele estava com raiva, bêbado, e como sempre ia me bater, então passou essa essa ..., e tentou me socorrer".
"Mas delegada..." – continuou a mulher , balançando a cabeça como um gesto de negação– "ele não ia me matar, ele ele tá acostumado só me bater... e eu, a apanhar."
"Sempre grito" – tornou a mulher – "mas nunca pensei que alguém pudesse me socorrer, e aí apareceu “essa, essa... doida” e entrou na frente."

"Como assim ? " – perguntou Fernanda. " A senhora está chamando uma pessoa que morreu por outra de "doida" ?"
"Essa mulher deu a vida pela senhora! Tenha respeito! " - Respondeu a delegada indignada.

“Morreu porque quis !” – disse a mulher. “Eu agora fiquei sem marido e pai dos meus filhos”. “ Ele não era nenhum assassino, só fez isso porquê ficou “puto” com essa “doida” que se meteu onde não devia."

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