terça-feira, 9 de março de 2010

"Pulsos Sujos" (Maria Fernanda)

A angústia me consume desde o início da tarde, não sei o que fazer, qual o canto da casa ficar ou se sair, pra onde ir.

Saio, uma vontade de chorar, choro.

Vergonha da minha vergonha, vergonha da minha fraqueza inconfessável. Medo. Medo do que? Medo do acaso.

Mas sempre dominei esse acaso. Esse acaso tem sido cassado, arrancado, extirpado em todos os momentos. Tive lutas incessantes. Muralhas sangraram pelos meus pulsos, corajosamente segui em frente mesmo suada, cansada e suja de do líquido que move a vida, mesmo assim fui em frente.

Mas porque eu só agora vejo que preciso de um abraço? É que quero recarregar minhas forças, mas não sei como, nem sei mesmo como as perdi. Mas o demônio sabe! Ele percebe que os instantes de paz não tem sido suficientes para que eu me recomponha, e me procura pelos cantos e frestas. Eu me finjo de morta, mas ele sempre me acha e me apunhala sem piedade.

Assim, quase a beira da minha morte eu contenho meu último choro, poupo minhas poucas forças, e de repente para minha surpresa eu percebo o rosto de pavor do meu algoz, consigo ver - sem crer - o medo que ele tem mim. Ele também está assustado! Cansado e também sem forças, daí - simplesmente - me deixa e desiste!

Perplexos, ficamos eu e ele, sem saber quanto tempo ainda lutaríamos a até morte de um de nós.

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